FORUM BRASILEIRO DE TURISMO HISTÓRICO CULTURAL

José Bonifácio de Andrada e Silva foi um homem muito além de seu tempo. Sua extensa biografia, seus vários predicados, os desafios aos quais foi submetido, a conquista do conhecimento técnico fizeram dele um verdadeiro ícone de nossa história.

Homem de grande cultura, seus preciosos conhecimentos pareciam vir ao encontro dos primórdios de nossa civilização ocidental, quando há 12.000 anos atrás, exatamente no período neolítico, os primeiros ditos ”Eurasianos” aqui chegaram dada a abundância de agua potável, material essencial à vida.

O preciosismo de peças hoje expostas no Museu Histórico e Geral da Cidade de São Vicente, onde honrosamente exerço a curadoria, demonstram de forma inequívoca, que este grande homem deveria, assim como o foi, um grande mineralogista, cientista e pesquisador além de seu tempo.

A região da terra natal do homem forte da “independência nacional” foi outrora e isto deveria ser grade curricular no ensino, além de ter sido uma das áreas mais ocupadas pelos então “povos dos sambaquis”, que tinham sem seu bojo, além do elevado senso de equilíbrio ambiental, hábitos bastante coerentes com os povos que pensavam em seu futuro.

O desenvolvimento destes povos, originou aos que hoje conhecemos como indígenas raiz, considerando a profusão de tribos, etnias e derivativos que compõe a hoje conhecida nação indígena. Para que a ocupação portuguesa fosse consolidada, muitas histórias, algumas das quais objeto de estudos atualizados, foram sendo transmitidas por gerações, sem que se façam presentes em livros, mas sim, diante de sua essência, deduzidos pelos estudiosos em nossa história pretérita.

Expedições que aqui vieram antes mesmo da descoberta oficial, demonstrando o grande interesse dos europeus pelas férteis terras e abundantes de agua, não são apenas parte do imaginário, mas sim, componentes de uma intrínseca e complexa história que se renova ao compararmos dados que nos remetem a presença europeia em 1493, com indicativos de novas e novas expedições que de forma sigilosa para cá dirigiram-se, sendo noticiadas de maneira informal expedições também em 1498.

A chegada do personagem “Bacharel Cosme Fernandes”, que segundo relatos do escritor e historiador Júlio Moredo, fartamente substanciados em suas pesquisas de campo, ocorreu em 1499, transformou a “descoberta” oficial destas terras, depois nominadas de Brasil, face a existência farta destas arvores de rara força e resistência, como um fato que não corresponde à verdade, mas sim a hoje conhecida “conveniente” verdade.

Os filhos da terra, registram sim a nominação da Ilha, onde hoje estão os centros comerciais e financeiros de duas cidades, São Vicente e Santos, e que foi nominada como Ilha de São Vicente, em 22 de janeiro de 1502, por Américo Vespúcio(o navegador genovês que agora suspeita-se seria também português) e Gaspar de Lemos, respeitado navegador luso. A coincidência, se é que ela existe, foi homenagear 30 anos após, na fundação da primeira forma organizada de governo das Américas, ou seja, em 22 de janeiro de 1532, a então Villa de São Vicente.

Estudiosos e pesquisadores, dão conta que as felizes coincidências são fruto do respeito que era tido pela então família “Bragança”, dos então Duques de Bragança, que patrocinavam quase que majoritariamente, as expedições e que de alguma forma, embora seu reinado(como família reinante) tenha se consolidado apenas por volta de 1640, tinham grande influência política no pequeno Reino Português e eram devotos de São Vicente de Zaragoza ou São Vicente Mártir, que tinha sua data comemorativa em 22 de janeiro, única razão das então coincidências do destino.

A evolução histórica desta região foi de tamanha envergadura que ela foi, social, financeira e culturalmente a responsável pela construção do Estado Paulista, pois por aqui chegavam e saiam todas as demandas socioculturais. São Paulo e contingentemente o Brasil, tornaram-se grandiosos por conta da pujança do povo santista e de seus exemplos de retidão, honradez e respeito a todas as formas de vida. Pois bem, o vanguardista José Bonifácio, que era filho desta terra, e que buscou no conhecimento e na cultura os meios necessários para tornar esta nação, esta grande nação, foi talvez o nosso maior exemplo.

Preciosos acervos históricos que compõe o patrimônio regional, estão fortemente correlatos á vida e obra de nosso maior herói, na pródiga figura de José Bonifácio de Andrada e Silva. Hoje nos perguntamos como seria a posição do cavalheiro José Bonifácio com relação aos políticos e a vida política desta nação e qual seria sua posição perante á forte influência de outras nações e continentes, hoje preponderantemente dominantes da vida financeira do planeta? Certamente as ideias liberais e libertárias dos Andrada e Silva, com um conservadorismo que certamente estaria aprimorado em nossa contemporaneidade, influenciaria sobremaneira o debate político no contexto atual. José Bonifácio de Andrada e Silva, foi um herói, não aquele de capa e espada como encontramos na literatura ou no imaginário, mas a preservação de suas memórias são imprescindíveis na formação e consolidação das próximas gerações.

Que suas virtudes e até mesmo seus eventuais pequenos defeitos, sejam objeto de apreciação e com isso consigamos moldar e amoldar uma sociedade mais justa e perfeita, como assim desejava nosso herói ao longo de nossa história, notadamente da mais importante delas, quando nos tornando um país único, uno, indivisível, com dimensões continentais, mas preservando em seu bojo, a essência da fé, do respeito, da integridade moral e do respeito ao próximo.

Paulo Eduardo Costa Confrade Diretor Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente

Curador do Museu Histórico e Geral da Cidade de São Vicente

Curador do Centro de Documentação e Memória de São Vicente

Curador da Galeria de Arte Cellula Mater

 

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